sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Seminário discute políticas de combate à obesidade infantil


Por Camila Araújo.

Na última terça (22/10), ocorreu na Câmara dos Deputados o Seminário sobre Obesidade Infantil, realizado pelo Deputado Federal Alexandre Roso (PSB-RS) juntamente com a Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF).
O assunto é motivo de grande preocupação entre especialistas. Pesquisas recentes mostram que 30% das crianças com idade entre 5 e 9 anos estão acima do peso e 15% são obesas. O resultado é o surgimento de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, problemas renais e até alguns tipos de câncer.
Na abertura do evento, o deputado Beto Albuquerque (RS), citou a presença de uma publicidade intensa na TV, principalmente nos canais infantis, com estímulo à “comer qualquer coisa”, ou seja, alimentos não saudáveis.  Beto também defendeu a aprovação do Projeto de Lei nº 3.874/12, de autoria de Roso, que cria a Semana de Mobilização Nacional contra a Obesidade Infantil. “É preciso levar a discussão para as escolas, para a comunidade e para toda a família, e escolher uma semana do ano para fazer isso de maneira mais intensa, é fundamental”.
Em seguida, Alexandre Roso citou que existe um grande número de Projetos de Lei (PL) na Casa: de 39 projetos, 15 PLs tratam especificamente de espaços apropriados para receber pessoas obesas (como é o caso de reservar assentos para obesos em ônibus e aviões) e cerca de apenas 30% de todos os PLs trabalham na questão da educação como auxílio no combate à obesidade, enfatizando a necessidade de investimento em políticas públicas que auxiliem na prevenção da doença, principalmente aquelas de incentivo à prática de atividades físicas – “O que vemos atualmente são ações para quando o problema já existe, e não para a prevenção”. Roso chamou atenção para o atual quadro de obesidade infantil, que muitas vezes não é visto como um problema de saúde, mas apenas uma desordem estética: além do bullying e discriminação que muitas crianças acima do peso sofrem, o desenvolvimento de diversos problemas de saúde como hipertensão arterial, diabetes ou problemas ortopédicos, por exemplo, são bastante preocupantes, destacando-se a importância dos pais se atentarem para isso e buscar um tratamento para seus filhos. Além disso, discutiu o fato de a obesidade ter causas multifatoriais (nutricionais, psicológicas, médicas, genéticas, hormonais, ambientais, etc), o que dificulta o seu tratamento. No caso de crianças, essa situação é ainda pior, já que, de uma forma geral, não podem ser submetidas ao tratamento com terapia medicamentosa ou à cirurgia bariátrica.
Patrícia Jaime, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, citou todos os esforços desenvolvidos pelo MS, por meio da Política Nacional de Alimentação e Nutrição, para auxiliar na questão do excesso de peso da população – como o Programa Saúde na Escola (PSE); o Manual das Cantinas Escolares Saudáveis, voltado para escolas particulares; acordos do MS com a indústria de alimentos para redução dos teores de sódio e açúcar em produtos industrializados, entre outros. Patrícia destacou a importância da regulação da publicidade de alimentos, mostrando alguns esforços estaduais e municipais para legislar sobre o tema. Ainda lembrou que a população brasileira experimentou grandes transformações sociais que acarretaram profundo impacto na diminuição da desnutrição no País. “Por outro lado, observamos um aumento do excesso de peso que nos apontou um novo cenário de problemas relacionados à alimentação e nutrição. Esse é nosso desafio. Acabar com a desnutrição sem deixar de lidar com a questão da obesidade, especialmente entre as crianças”, ressaltou.
Paulo César, representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, citou que, atualmente, o excesso de peso em crianças e adolescentes contribui para uma maior causa de mortes que a desnutrição. Paulo César citou em sua fala que “saúde não é consequência de contagem de calorias”, sendo importante uma alimentação saudável e a prática de atividade física.
Maria Edna, representante da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), chamou atenção para que o diagnóstico de sobrepeso e obesidade em crianças seja realizado com base nas curvas de crescimento da OMS, uma vez que o diagnóstico por meio apenas do IMC, com a classificação de adultos, é totalmente enviesado. Além disso, destacou a importância da atividade física no tratamento da obesidade.
De acordo com a nutricionista Sophie Deram, a mudança no meio ambiente foi decisiva para o aumento da obesidade infantil em todo o País. Sophie acredita que o rápido processo de urbanização e de industrialização foi fundamental para modificar a forma da população se alimentar. “A indústria trouxe muitos alimentos atrativos para as crianças e para os jovens, só que nem sempre saudáveis.” Ainda destacou a influência do comportamento alimentar no excesso de peso, citando que, além de uma dieta de melhor qualidade, é importante a adoção de hábitos como comer à mesa, de preferência, com a família reunida, manter uma rotina diária com 4 a 5 refeições, dormindo bem e assistindo menos televisão, sem focar apenas na questão do peso, mas da saúde.
Paulo César e Sophie Deram destacaram ainda a contribuição da programação metabólica que os indivíduos sofrem desde a vida intra-uterina – bem como da saúde dos pais no momento da geração de uma nova vida – sendo importante a promoção da saúde em todos os ciclos da vida.
A psicóloga Clarisse Ribeiro, do Hospital da Criança de Brasília, ressaltou todos os problemas de ordem emocional e/ou social que o problema da obesidade pode carregar (já que muitas pessoas, inclusive crianças, veem na comida uma válvula de escape, compensação ou recompensa) e destacou que a família tem um papel importante no tratamento da obesidade infantil.
Por fim, a advogada Ekaterine Karageorgiardis, do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, discorreu sobre a influência da comunicação mercadológica dirigida à criança, com estímulo à adoção de hábitos consumistas e pouco saudáveis. Para Ekaterine, o aumento do consumo das chamadas guloseimas está diretamente relacionado ao estímulo dos meios de comunicação. Pesquisas apontam que, no Brasil, as crianças influenciam em até 80% as decisões de consumo das famílias.
O Código de Defesa do Consumidor traz dispositivos que tratam da propaganda abusiva e enganosa. Assim como o Estatuto da Criança e Adolescente, que também dispõe de uma série de mecanismos de proteção, inclusive na área da publicidade, conforme lembrou Ekaterine. “Existem mecanismos legais, mas eles não são bem aplicados. Por isso vemos a necessidade de políticas específicas. Precisamos também de mecanismos mais eficazes de fiscalização.”
De uma forma geral, todos os especialistas apontaram a mudança de hábitos (não só da criança, mas de toda a família) como a principal maneira de combater a doença, especialmente entre as crianças. “Hoje existe um desestímulo à prática de atividade física. As crianças são estimuladas a ficar no computador, no videogame ou no celular”, observou Maria Edna. Segundo ela, a modificação desse comportamento é fundamental. “Mas é preciso entender que essa mudança envolve toda a família. Envolve também a escola e todo ambiente no qual a criança transita”, acrescenta.

Vídeo do Hospital Albert Einstein sobre obesidade infantil exibido na abertura do Seminário.

Fonte: http://propaganut.wordpress.com/  em 24 de Outubro de 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Projeto que regula publicidade passa na Câmara

18 de setembro de 2013



Depois de uma longa articulação encabeçada pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP) entre deputados a favor da proteção da criança frente aos abusos da publicidade infantil, o Projeto de Lei 5.921/2001 finalmente segue sua tramitação e agora será analisado na Comissão de Constituição e Justiça de Cidadania (CCJC) da Câmara Federal.

A sessão ordinária realizada nesta quarta-feira (18), durou duas horas e muitos parlamentares defenderam a regulação da publicidade dirigida ao público infantil como forma de proteger as crianças e argumentaram que um tema de tamanha relevância para a sociedade precisava seguir em debate na Câmara.

O texto apresentado pelo deputado Sandro Alex (PPS-PR) e aprovado pelos deputados da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) é o mesmo que passou na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC), do relator Osório Adriano (DEM-DF), em 2009. A proposta inclui apenas duas frases no atual Artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, considerando abusiva a publicidade que seja capaz de induzir a criança a desrespeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família e que estimule o consumo excessivo.

O Instituto Alana apoia publicamente outro texto substitutivo ao PL, aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor em 2008, de autoria da então deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG) e que prevê a regulação de qualquer comunicação mercadológica dirigida a menores de 12 anos. No entanto, avalia que o resultado de hoje é positivo por dar continuidade à tramitação do PL e chamar a atenção para um assunto caro às crianças brasileiras.

 

Fonte: Instituto Alana

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Entrevista com Raquel Fuzaro, mãe, advogada, ativista social e defensora de uma infância livre

Dia 11 de setembro o Projeto de Lei 5921/01, que visa regulamentar a publicidade infantil, foi colocado na pauta para votação na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados.

Depois de 11 anos tramitando, finalmente veio o momento em que a proposta poderia ser encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça e posteriormente seguir para a análise do Senado.

Raquel Fuzaro, mãe de Júlia (4) e Luiz Felipe (3), advogada, ativista social e defensora de uma infância livre estava lá. Ela conta como foi e quais são os próximos passos.

Leia a entrevista aqui: http://infancialivredeconsumismo.com/ 


Tema da publicidade infantil movimenta Câmara

Ontem(12/09), o Projeto de Lei 5921/01, que visa regulamentar a publicidade infantil, foi colocado na pauta para votação na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados.
Depois de 11 anos tramitando ,finalmente veio o momento em que a proposta poderia ser encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça e posteriormente seguir para a análise do Senado.

 O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) apresentou voto em separado baseado no substitutivo aprovado em 2008 na Comissão de Defesa do Consumidor, que restringe totalmente qualquer comunicação mercadológica direcionada ao público infantil. O texto atualizado pelo deputado, que incluiu a restrição da publicidade infantil também em escolas, garante de forma mais completa e abrangente a proteção dos direitos da criança.

Porém, a votação do PL 5921/2001 que aconteceria na próxima quarta-feira,18 de setembro, na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), não irá mais ocorrer ! Graças "ao lobby obscuro da indústria”, o PL agora vai “ter que passar pelo Plenário da Câmara”.Isso é ruim,pois no Plenário,o Trabalho de aprovação dessa regulamentação,que já se arrasta a quase 12 anos,para novamente.Se a população não fizer pressão,ficaremos eternamente neste jogo de empurra empurra enquanto nossas crianças continuam expostas aos abusos da publicidade infantil.

Apoio à regulação

O deputado
Jean Wyllys (PSOL-RJ) manifestou apoio à regulação da publicidade infantil e declarou que é a favor das regras para a propaganda voltada a crianças e que apoia o Projeto de Lei 5.921/2001.


Movimento Infância Livre do Consumismo 

sábado, 3 de agosto de 2013

Conar e Coca-cola: Propaganda enganosa é crime!



Abaixo-assinado por
Frente pela Regulação da Publicidade de Alimentos


Pedimos a remoção imediata da campanha publicitária "Energia Positiva" que está sendo veiculada pela Coca-Cola no Brasil em comerciais de televisão, cinema, outdoors, pontos de venda e plataforma online. Esta campanha foi proibida por órgãos do México e do Reino Unido por ser considerada enganosa e trazer riscos à saúde. A campanha transmite informações erradas aos consumidores, pois promove o consumo maior de calorias para ser gasto com diferentes atividades físicas, e ainda não deixa claro que esse produto contém sódio e outros aditivos químicos que podem acarretar em problemas de saúde. Este tipo de publicidade contribui para agravar a epidemia atual de sobrepeso e obesidade que a população brasileira está sofrendo.

A denúncia realizada tanto no México quanto no Reino Unido foi focada no risco para a saúde representado pela promoção de um maior consumo de calorias. O mesmo se aplica aqui, considerando que mais de 50% de todos os adultos no Brasil já está acima do peso ideal, pois consome uma quantidade excessiva de calorias e pratica pouca atividade física. Estudos científicos já comprovam que o consumo regular de bebidas açucaradas está associado com o maior risco de desenvolvimento de obesidade, síndrome metabólica e diabetes. A Coca-Cola tenta associar a imagem da sua marca a pessoas saudáveis e exercícios físicos, porém ela é responsável por introduzir no mercado produtos com altas taxas de açúcar, e de sódio, e pouco nutritivos, que contribuem para o aumento da obesidade, diabetes e outros problemas de saúde. Ou seja, muitas calorias vazias e nada de energia positiva!
Não podemos permitir que a Coca-cola continue veiculando um comercial com informações erradas sobre o consumo e o gasto de calorias, pois passa a ideia de que as calorias que a bebida oferece são “boas” e ainda não deixa claro como gastar essas calorias. Vamos pressioná-los a removerem a campanha "Energia Positiva", para que tenham assim mais responsabilidade com os consumidores sobre os riscos de saúde que seus produtos oferecem.

Participe desta mudança,assine e leia na íntegra a carta para o Conar, Coca-cola e Procon em :

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Açúcar morde!

* Refrigerante destrói os dentes, causa obesidade e diabetes tipo 2. Proteja suas crianças. Escolha água no lugar de bebidas açucaradas.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

ABRASCO emite nota sobre prêmio Pemberton da Coca Cola

A Nota foi aprovada pela presidência da ABRASCO e redigida pelo Comitê Executivo do GT Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva: expressa posicionamento acerca do significado do Prêmio. Mundialmente, 155 milhões de crianças têm excesso de peso ou obesidade infantil, segundo os estudos da Organização Mundial de Saúde. Destas crianças, mais de 90% consome fast food e bebe refrigerantes pelo menos 4 vezes por semana.

Para acessarem a nota Oficial,segue o link :

http://abrasco.org.br/ckfinder/userfiles/files/Manifestacao%20ABRASCO%20Premio%20Coca%20Cola_10Maio2013.pdf



Fonte:
www.abrasco.org

 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Você foi programado para gostar de 'infartitos'. E agora?

Por Leonardo Sakamoto

Vergonha alheia.

Um dos piores sentimentos do mundo. Aquela sensação de se contorcer todo para caber em uma xícara do café ou no copo de chope quando alguém da mesa diz algo esdrúxulo e vergonhático.

Uma das coisas que mais me dá vergonha alheia é quando escuto alguém usar o argumento “não gosta, é só não consumir”, como se nada nos guiasse para adquirir um produto. São tantos elementos que incidem na formação do desejo e na tomada de decisão que eu me pergunto se é possível afirmar, no final das contas, que temos livre-arbítrio.

Nossas ações são, em muito, determinadas pelo ambiente em que vivemos, as situações das quais compartilhamos, nossos amigos, parentes e colegas de trabalho e do tipo de propaganda que absorvemos diariamente. Por exemplo, as que dizem que esponjas amarelas e com gosto artificial de queijo são saborosas ou que tornam dois litros de caramelo preto com essências variadas um dos símbolos de nossa era e civilização.

Você acha que tem opção. Mas o que se convencionou chamar de liberdade para consumir é um processo com uma gama muito estreita de opções. A informação de que existe um mundo lá fora que vá além de esponjas de queijo e ácido carbônico preto é pouco difundida pelos veículos de comunicação. E, quando difundida, ela é inigualavelmente mais chata que os anúncios.

Isso sem falar que furar a “liberdade assistida” tem um custo alto, que a maioria dos brasileiros não pode pagar. Tanto o consumo saudável quanto o consumo consciente são atividades censitárias em uma cidade como São Paulo. Ou seja, é – em grande parte das vezes – para quem tem dinheiro para fazer uma escolha e pagar mais pelo melhor (se for sem agrotóxico e livre de transgênicos, então…) ou tempo para preparar algo não-industrializado. E, portanto, mais dinheiro disponível.

Uma reunião dos países-membros da Organização Mundial da Saúde, em Genebra, decidiu, esta semana, por adotar um plano para conter o aumento da obesidade no mundo. O que inclui a mudança de hábitos considerados prejudiciais e vinculados ao aparecimento de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes: fumar, beber e comer alimentos ricos em substâncias que causa danos ao organismo. OK, reconheço, só aquilo que é considerado bom.

O plano da OMS inclui a necessidade de reduzir os níveis de sal, açúcar e gordura em alimentos industrializados, diminuir as porções servidas e, atenção, solicitar um controle maior por parte dos governos quanto à publicidade voltada a crianças.

Em 2010, a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE apontou que 50,1% dos homens e 48% das mulheres estão com excesso de peso (na década de 70, o índice era de 18,5% e 28,7%, respectivamente). Enquanto isso, 12,5% dos homens e 16,9% das mulheres são obesos. Não estou discutindo critérios estéticos, mas sim uma questão de saúde pública. Sei do que estou falando, tenho pressão alta e níveis de colesterol e triglicérides mais altos do que meu médico gostaria.

Nossa qualidade de vida aumentou ao termos menos tempo para fazer nossas refeições e, consequentemente, optarmos por nos entupir de produtos menos saudáveis, mas mais rápidos? A entrada de classes mais pobres no consumo através de uma avalanche de carboidratos industrializados alardeados como status social na TV deve ser comemorada? O biscoito recheado é o novo Santo Graal do Brasil contemporâneo?

Afinal de contas, a nossa sociedade de consumo e sua máquina de empacotar soluções ineficazes para frustrações empurra de um lado para o tamanho XXXG. Simultaneamente, do outro lado, parte da mídia e da indústria da moda diz que só pode ser feliz quem cabe em um manequim 32. No máximo. E dá-lhe modelo desfilando com cara de quem comeu meia folha de alface e o bando de menininhas e menininhos suspirando para ter um corpo igual a esses palitinhos, que também não deveriam ser exemplos de saúde para nada. Esquizofrênica a situação? Imagina. Tudo faz sentido. Para o bolso de alguns.

Sei que a evolução programou meu cérebro por milhares de anos para gostar de gordura e me preparar para tempos de vacas magras. Mas, hoje, essa programação natural é reforçada por outra.

Apenas com muita dificuldade somos capazes de aprovar regras para anúncios publicitários de produtos gordurosos ou com muito açúcar ou sal. E olha que não estamos falando de proibição, mas sim de informação – coisa que deveria ser fornecida abertamente. Afinal de contas, o consumo em excesso de certos alimentos pode trazer riscos à saúde.

Regras assim não agradam as indústrias de refrigerantes, sucos concentrados, salgadinhos, biscoitos e de bebidas com muita cafeína. Lembremos que a exigência de rotulagem de produtos que contenham transgênicos e a obrigação de estampar que o tabagismo mata nos maços de cigarro também foram alvo de furiosas reclamações por parte de algumas empresas e associações.

Quando alguma limitação à publicidade de produtos é baixada, há sempre um grupo que brada ser esse ato um atentado à liberdade de expressão. Mas, ao usar essa justificativa, o que acaba defendendo é o direito de ficar em silêncio para não se expor diante da sociedade. O problema é que essa omissão de informações acaba sendo um atentado contra a liberdade de escolha. Não é possível decidir se não há informação suficiente. Vivemos um capitalismo de mentira no qual não querem nos dar todas as informações para tomarmos a melhor decisão.

Colocar isso em prática é difícil. Afinal de contas, uma campanha na TV para dizer “modere” a comidas (sic) como um salgadinho Infartitos é muito mais booooring do que uma peça publicitária usando o Ben 10 e a preguiça simpática do The Croods, piscando na tela tão rápido que, se não convencer a consumir, pode causar um ataque epilético à la Pikachu.

Em tempo: Fica a sugestão do documentário “Muito Além do Peso” sobre obesidade infantil.

Fonte: Blog do Sakamoto

terça-feira, 28 de maio de 2013

Blog brasileiro compara fotos de propaganda de alimentos com o produto real


Quando se olha uma foto trabalhada, editada e super produzida de algum alimento, seja na caixa do produto ou no cardápio do restaurante, o efeito imediato é: “Nossa, quero experimentar esse negócio agora!”. No entanto, assim como numa capa de revista em que modelos e atrizes ganham perfeição por conta da edição de imagens, no mundo dos alimentos, funciona da mesma maneira.

Pensando nisso, o site brasileiro chamado “Coma com os olhos – As mentiras que nos obrigam a engolir” resolveu mostrar a verdade por trás das fotos caprichadas e mostra imagens dos alimentos da maneira que realmente são. 

O site que existe desde setembro de 2008, foi inspirado em um blog alemão que fez um comparativo de 100 produtos entre suas embalagens e seus conteúdos reais. A versão brasileira, além de mostrar imagens comparativas, ainda tem uma completa resenha sobre cada produto.


Fonte: Vírgula UOL



sexta-feira, 17 de maio de 2013

BAUDUCCO É CONDENADA A R$ 300 MIL POR VENDA CASADA


O Tribunal de Justiça de São Paulo considerou abusiva a promoção “É hora de Shrek!” realizada pela empresa Pandurata, detentora da marca Bauducco, em que era preciso consumir alimentos da linha “Gulosos” para comprar um relógio com personagens do filme Shrek.

Para o TJ, este é um caso de venda casada, prática proibida por lei no Brasil. A decisão condenou a empresa a pagar indenização no valor de R$ 300 mil pelos danos causados à sociedade. A empresa ainda deve deixar de promover venda casada e de anunciar para crianças, com multa fixada em R$ 50 mil em caso de descumprimento.

O caso foi denunciado em 2007 pelo Instituto Alana ao Ministério Público do Estado de São Paulo, que propôs uma Ação Civil Pública em face da Pandurata.

A Ação foi julgada improcedente pela 41ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da Capital, mas o MP apelou da decisão, que foi julgada agora pelo Tribunal de Justiça. A empresa ainda pode recorrer.

Na campanha, lançada no mesmo ano que o terceiro filme da série Shrek, era preciso comprar cinco produtos da linha “Gulosos”, e juntar mais R$ 5, para comprar relógios de pulso estampados com os personagens do filme. A estratégia foi considerada venda casada pelo Ministério Público, já que condicionava a compra dos relógios ao consumo de alimentos da Bauducco. Com quatro modelos diferentes de relógio, seria preciso consumir 20 produtos “Gulosos” para completar a coleção.

“Esse tipo de campanha publicitária, embora comumente utilizada, deve ser considerada abusiva e não normal. É preciso mudar a mentalidade de que aquilo que é corriqueiro é normal”, afirmou em documento o desembargador Ramon Mateo Junior, relator do caso no TJ.

A promoção ainda foi considerada abusiva por ser direcionada a crianças, sem respeitar as normas protetivas desse público. Para o TJ, a Pandurata aproveitou-se da inexperiência e da ingenuidade das crianças.

Fonte: Alana

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Entidades pedem que Associações de saúde deixem de apoiar prêmio Promovido pela Coca-Cola

Veja carta-aberta divulgada pelas entidades assinantes. Se você também concorda, ajude a divulgar!

**Atualização em 21 de maio - novas assinaturas ao final da carta em vermelho**


Carta Aberta

à Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica,
à Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição e
à Associação Brasileira de Nutrologia

Maio de 2013

Na condição de instituições de ensino e pesquisa e entidades do campo da alimentação e nutrição no País, profissionais, professores e pesquisadores comprometidos com a saúde da população brasileira nos endereçamos aos dirigentes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) e da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), por meio desta carta aberta ao público, para expressar nosso descontentamento com a divulgação e o apoio ao Prêmio Pemberton, de produção e divulgação científica, promovido pela Coca-Cola Brasil. Buscamos ainda encorajar essas organizações a se desassociarem das iniciativas da empresa Coca-Cola Brasil, bem como de quaisquer iniciativas de empresas fabricantes de produtos alimentares ultra-processados.

Estudos científicos evidenciaram a associação entre o consumo de refrigerantes e a obesidade, assim como de outros produtos ricos em açúcares cujos danos à saúde justificam providências para a redução de seu consumo. A aquisição de refrigerantes quintuplicou na população brasileira nas últimas três décadas, acompanhando a explosão das prevalências de excesso de peso e obesidade entre crianças, adolescentes e adultos. Este é o resultado de estratégias bem sucedidas de empresas, como a Coca-Cola, em promover o consumo desses produtos. Dentre as principais estratégias encontram-se a propaganda, promoções, patrocínio de eventos esportivos e cooptação de cientistas e pesquisadores.

A vinculação das entidades profissionais, de ensino e pesquisa, que lidam com questões de saúde e nutrição, a setores econômicos ligados à alimentação e nutrição é, em princípio, incompatível com a necessária independência intelectual e política das mesmas e, por isto, precisa ser revista.

Ao se associarem à Coca-Cola Brasil, a ABESO, a SBAN e a ABRAN chancelam as práticas dessa empresa de estimular o consumo de seus produtos e ampliar a participação de alimentos não saudáveis na alimentação da população brasileira, incluindo públicos como as crianças, que são hiper-vulneráveis à publicidade e a outras práticas de marketing dirigidas a elas. Tal associação contraria frontalmente os esforços empreendidos em direção à melhora das condições de alimentação e nutrição do País.

A vinculação de profissionais e entidades a empresas - em um contexto em que a ciência e seus representantes possuem grande reconhecimento por parte do público em geral e, no qual, informações sobre saúde e escolhas alimentares geram, incessantemente, incertezas e angústias para o consumidor - legitima a imagem, os produtos e as práticas dessas empresas.

Por essas razões, encorajamos e apoiamos essas organizações a se desvincularem da empresa Coca-Cola Brasil, para que, dessa forma, possam engajar-se no enfrentamento da obesidade e de outras doenças crônicas, salvaguardando a reputação e o compromisso de cada uma com a promoção da alimentação saudável e a melhoria das condições alimentares da população brasileira.


Rosely Sichieri
Professora Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Ruben Mattos de Araujo
Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Kenneth Rochel de Camargo Jr.
Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Carlos Augusto Monteiro
Professor Titular da Universidade de São Paulo e
Membro da Academia Brasileira de Ciências

Fabio da Silva Gomes
Secretário de Relações Exteriores da Associação Mundial de Nutrição e Saúde Pública

Instituto Alana

Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília


Gulnar Azevedo e Silva - Instituto de Medicina Social - UERJ

Luiz Antonio dos Anjos - Faculdade de Nutrição - UFF

Conselho Federal de Nutricionistas