sexta-feira, 17 de maio de 2013
BAUDUCCO É CONDENADA A R$ 300 MIL POR VENDA CASADA
O Tribunal de Justiça de São Paulo considerou abusiva a promoção “É hora de Shrek!” realizada pela empresa Pandurata, detentora da marca Bauducco, em que era preciso consumir alimentos da linha “Gulosos” para comprar um relógio com personagens do filme Shrek.
Para o TJ, este é um caso de venda casada, prática proibida por lei no Brasil. A decisão condenou a empresa a pagar indenização no valor de R$ 300 mil pelos danos causados à sociedade. A empresa ainda deve deixar de promover venda casada e de anunciar para crianças, com multa fixada em R$ 50 mil em caso de descumprimento.
O caso foi denunciado em 2007 pelo Instituto Alana ao Ministério Público do Estado de São Paulo, que propôs uma Ação Civil Pública em face da Pandurata.
A Ação foi julgada improcedente pela 41ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da Capital, mas o MP apelou da decisão, que foi julgada agora pelo Tribunal de Justiça. A empresa ainda pode recorrer.
Na campanha, lançada no mesmo ano que o terceiro filme da série Shrek, era preciso comprar cinco produtos da linha “Gulosos”, e juntar mais R$ 5, para comprar relógios de pulso estampados com os personagens do filme. A estratégia foi considerada venda casada pelo Ministério Público, já que condicionava a compra dos relógios ao consumo de alimentos da Bauducco. Com quatro modelos diferentes de relógio, seria preciso consumir 20 produtos “Gulosos” para completar a coleção.
“Esse tipo de campanha publicitária, embora comumente utilizada, deve ser considerada abusiva e não normal. É preciso mudar a mentalidade de que aquilo que é corriqueiro é normal”, afirmou em documento o desembargador Ramon Mateo Junior, relator do caso no TJ.
A promoção ainda foi considerada abusiva por ser direcionada a crianças, sem respeitar as normas protetivas desse público. Para o TJ, a Pandurata aproveitou-se da inexperiência e da ingenuidade das crianças.
Fonte: Alana
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Entidades pedem que Associações de saúde deixem de apoiar prêmio Promovido pela Coca-Cola
Veja carta-aberta divulgada pelas entidades assinantes. Se você também concorda, ajude a divulgar!
Carta Aberta
à
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome
Metabólica,
à
Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição e
à
Associação Brasileira de Nutrologia
Maio de 2013
Na
condição de
instituições de
ensino e
pesquisa e
entidades do
campo da
alimentação e
nutrição no
País,
profissionais,
professores e
pesquisadores
comprometidos com
a saúde
da população
brasileira nos
endereçamos aos
dirigentes da
Associação
Brasileira para
o Estudo
da Obesidade
e da
Síndrome
Metabólica
(ABESO), da
Sociedade
Brasileira de
Alimentação e
Nutrição (SBAN)
e da
Associação
Brasileira de
Nutrologia
(ABRAN), por
meio desta
carta aberta
ao público,
para expressar
nosso
descontentamento
com a
divulgação e
o apoio
ao Prêmio
Pemberton, de
produção e
divulgação
científica,
promovido pela
Coca-Cola
Brasil. Buscamos
ainda encorajar
essas
organizações a
se desassociarem
das iniciativas
da empresa
Coca-Cola
Brasil, bem
como de
quaisquer
iniciativas de
empresas
fabricantes de
produtos
alimentares
ultra-processados.
Estudos
científicos já
evidenciaram a
associação
entre o
consumo de
refrigerantes e
a obesidade,
assim como de outros produtos ricos em açúcares cujos
danos à
saúde justificam
providências
para a
redução de
seu consumo.
A aquisição
de refrigerantes
quintuplicou na
população
brasileira nas
últimas três
décadas,
acompanhando a
explosão das
prevalências de
excesso de
peso e
obesidade entre
crianças,
adolescentes e
adultos. Este
é o
resultado de
estratégias bem
sucedidas de
empresas, como
a Coca-Cola,
em promover
o consumo
desses produtos.
Dentre as
principais
estratégias
encontram-se
a propaganda,
promoções,
patrocínio de
eventos
esportivos e
cooptação de
cientistas e
pesquisadores.
A
vinculação das
entidades
profissionais, de
ensino e
pesquisa, que
lidam com
questões de
saúde e
nutrição, a
setores
econômicos
ligados à
alimentação e
nutrição é,
em princípio,
incompatível com
a necessária
independência
intelectual e
política das
mesmas e,
por isto,
precisa ser
revista.
Ao
se associarem
à Coca-Cola
Brasil, a
ABESO, a
SBAN e
a ABRAN
chancelam as
práticas dessa
empresa de
estimular o
consumo de
seus produtos
e ampliar
a participação
de alimentos
não saudáveis
na alimentação
da população
brasileira,
incluindo
públicos como
as crianças,
que são
hiper-vulneráveis
à publicidade
e a
outras práticas
de marketing
dirigidas a
elas. Tal
associação
contraria
frontalmente os
esforços
empreendidos em
direção à
melhora das
condições de
alimentação e
nutrição do
País.
A
vinculação de
profissionais e
entidades a
empresas - em
um contexto
em que
a ciência
e seus
representantes
possuem grande
reconhecimento
por parte
do público
em geral
e, no
qual, informações
sobre saúde
e escolhas
alimentares
geram,
incessantemente,
incertezas e
angústias para
o consumidor
- legitima a
imagem, os
produtos e
as práticas
dessas empresas.
Por essas razões, encorajamos e apoiamos essas organizações a se
desvincularem da empresa Coca-Cola Brasil, para que, dessa forma,
possam engajar-se no enfrentamento da obesidade e de outras doenças
crônicas, salvaguardando a reputação e o compromisso de cada uma
com a promoção da alimentação saudável e a melhoria das
condições alimentares da população brasileira.
Rosely
Sichieri
Professora
Titular
da
Universidade
do
Estado
do
Rio
de
Janeiro
Ruben
Mattos de Araujo
Professor
Adjunto
da
Universidade
do
Estado
do
Rio
de
Janeiro
Kenneth
Rochel
de
Camargo
Jr.
Professor
Associado
da
Universidade
do
Estado
do
Rio
de
Janeiro
Carlos
Augusto
Monteiro
Professor
Titular da Universidade de São Paulo e
Membro
da Academia Brasileira de Ciências
Fabio
da Silva Gomes
Secretário
de Relações Exteriores da Associação Mundial de Nutrição e
Saúde Pública
Instituto
Alana
Idec - Instituto
Brasileiro
de
Defesa
do
Consumidor
Observatório
de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de
Brasília
sábado, 11 de maio de 2013
Infância e Consumo – Entrevista com Susan Linn

Susan Linn é psicóloga, escritora, produtora, cofundadora e diretora da Campaign for a Commercial Free Childhood (Campanha por uma Infância Sem Comerciais), além de ser instrutora em Psiquiatria na Harvard Medical School. Já escreveu extensivamente sobre o efeito da mídia e do Marketing nas crianças, inclusive o livro Consuminhg Kids (Crianças do consumo), o qual recebeu boas críticas de publicações como The Wall Street Jornal eMother Jones.
Dentro da Campanha por uma Infância Livre de Comerciais, surgiu a proposta chamada: “Screen Free week”(http://www.screenfree.org/) – que tem como objetivo incentivar as crianças a ficarem uma semana desconectadas de qualquer aparelho eletrônico, estimulando a vivência com a família, amigos e a natureza – uma semana totalmente “desligado”. Neste ano, a celebração aconteceu na semana de 29 de abril à 05 de maio e algumas iniciativas no Brasil apoiaram esta causa.
Com exclusividade para a rede Ideias na Mesa, Susan Linn participa desta entrevista sobre a propaganda de alimentos direcionada para o público infantil. Confira:
1) Você mencionou no Seminário Internacional Infância e Comunicação, ocorrido em março em Brasília, que existe uma diferença entre as crianças serem expostas à publicidade nessa geração em comparação às gerações anteriores, assim como o tipo de publicidade utilizada. Qual é a diferença?
Resposta: A publicidade que as crianças experimentam nos dias de hoje não pode ser comparada com a publicidade experimentada pelas gerações anteriores. Fazendo uma retrospectiva, em 1983, empresas americanas gastaram 100 milhões de dólares anuais em propagandas direcionadas para as crianças, e atualmente essas empresas estão gastando 17 bilhões de dólares. É um grande aumento, e isso apenas nos EUA. Antes, a influência das crianças no gasto total de dinheiro era por volta dos bilhões, hoje, já está na casa dos trilhões. Somando-se a isso, ainda temos o desenvolvimento tecnológico das mídias, como por exemplo, os tablets e ipads, que promovem maior contato das crianças com a publicidade existente e divulgada nesses veículos. Então, o que temos é um marketing infantil bastante abrangente e não regulamentado o suficiente para proteger as crianças.
2) O que isso implica na saúde e no desenvolvimento dessas crianças?
Resposta: O marketing infantil afeta negativamente o desenvolvimento social e a saúde das crianças ao redor do mundo, nos dias de hoje. É um dos fatores que colabora para o aumento da obesidade, surgimento de distúrbios alimentares, sexualidade precoce e sexualização de meninas, violência entre os mais jovens, estresse familiar e a materialização de valores e de princípios, ou seja, a crença de que o consumo de determinado produto irá trazer felicidade. Além disso, prejudica as brincadeiras criativas, que são essenciais para o desenvolvimento cognitivo da criança, para promover a solução de problemas, a habilidade de autocontrole e iniciativas de novos projetos. Tudo isso é possibilitado com as brincadeiras criativas, e as propagandas e o marketing prejudicam esse processo. Eu sei que há várias discussões em torno da obesidade infantil ao redor do mundo, e essa questão é muito importante, mas não se trata apenas de publicidade de alimentos.
3) Qual é o papel das novas mídias e da indústria de alimentos nos hábitos alimentares das crianças?
Resposta: As indústrias de alimentos estão tendo mais acesso às crianças por meios dos websites promovidos pelas marcas. E essas companhias gostam muito desse tipo de publicidade, pois duram bem mais do que os quinze segundos de propaganda. Logo, é ainda mais poderoso e eficaz. Não sei se vocês já brincaram nesses sites, mas uma vez eu pude experimentar o de uma marca conhecida de chocolates, e, no final, eu estava morrendo de vontade de comer chocolate! É impressionante o poder exercido por eles!
4) Qual é o papel dos pais em relação à superexposição das crianças às propagandas?
Respostas: É muito difícil para os pais lutarem contra companhias que possuem milhões e milhões de dólares, que trabalham com auxílio de psicólogos e antropólogos na elaboração de métodos efetivos para alcançarem às crianças. Nós precisamos educar os pais, mas isso não é suficiente, nós precisamos de uma sociedade e de um mundo que colaborem para a criação das crianças, e não que prejudiquem esse processo. Nós precisamos educar os pais e, particularmente, nós precisamos de educação para lidar com as novas mídias. Pesquisas mostram que muito tempo diante da TV é prejudicial à saúde da criança. Nós precisamos ajudar os pais a realizarem outras atividades com seus filhos, que não seja apenas a de assistir TV. Mas isso também não é o bastante. É preciso regulamentar a publicidade infantil. Os pais precisam sim dizer não à seus filhos, mas eles também precisam de ajuda governamental, pois não é uma luta justa. É uma luta contra empresas que gastam 17 bilhões de dólares anuais em investimentos para promover a marketing infantil.
5) Você acredita que é possível educar as crianças de modo que elas não sejam influenciadas pela publicidade?
Resposta: Todos nós somos vulneráveis à propagandas. Mas as crianças são ainda mais vulneráveis, pois o seu cérebro está em processo de desenvolvimento e elas não possuem o mesmo senso crítico dos adultos. Pesquisas mostram que crianças muito pequenas não diferenciam a publicidade dos programas de TV. Então, quando as empresas utilizam personagens para fazer publicidade, a criança não entende que aquilo é um produto, ela encara o produto como parte do personagem. Além disso, as crianças menores de 8 anos não conseguem discernir o caráter persuasivo da publicidade. Elas simplesmente não entendem a intenção de venda do marketing. Porém, nós precisamos conversar com as crianças a respeito das propagandas. É importante manter esse tipo de diálogo com elas, mas nós não podemos esperar que crianças conseguirão resistir ao apelo do marketing da mesma forma que nós adultos, uma vez que são elaborados por profissionais competentes permeados de pesquisas e dinheiro. Eu possuo muito conhecimento sobre marketing, e mesmo assim sou vulnerável à ele!
6) O que o governo pode fazer em relação à propaganda de alimentos direcionados para as crianças?
Resposta: A publicidade infantil deveria ser proibida. Não há nenhuma justificativa moral, ética ou social para isso. As crianças têm o direito de crescer e os pais têm o direito de criar seus filhos sem que sua saúde e desenvolvimento sejam comprometidos por causa de interesses financeiros. Se as companhias estão dizendo que os pais são os responsáveis, então porque elas não direcionam seu marketing para os pais? As companhias estão agindo de uma maneira dúbia: os pais são os responsáveis, mas elas utilizam ajuda de psicólogos para conseguir driblar o controle dos pais.
Fonte: Ideias na Mesa
quinta-feira, 9 de maio de 2013
E se fosse verdade?
México, DF - 29 de abril de 2013 - Esta manhã foram apresentados alguns dos integrantes del "Cartel de La Chatarr". Foi divulgado um vídeo que mostra as cenas da detenção deles. Em frente aos meios de comunicação desfilaram os quatro integrantes: Toño, isto é "o tigre", Ronald McDonald, isto é "o palhaço", Melvin, isto é "o elefante" e o Urso Polar, isto é "a coca".
Estes personagens foram acusados de violar os direitos da infância mexicana sob duas acusações principais: manipular e enganar os meninos e as meninas por meio da publicidade e comercialização de seus produtos e por induzir o consumo de alimentos e bebidas que contribuem para expanção da epidemia de obesidade entre este setor da população.
Veja o vídeo da ação da polícia do México.
Veja a notícia completa aqui (em espanhol).
>> Atenção, esta é uma notícia engraçada, porém, falsa. <<
Estes personagens foram acusados de violar os direitos da infância mexicana sob duas acusações principais: manipular e enganar os meninos e as meninas por meio da publicidade e comercialização de seus produtos e por induzir o consumo de alimentos e bebidas que contribuem para expanção da epidemia de obesidade entre este setor da população.
Veja o vídeo da ação da polícia do México.
Veja a notícia completa aqui (em espanhol).
>> Atenção, esta é uma notícia engraçada, porém, falsa. <<
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Ouça: Debate sobre publicidade infantil!
Até o final do mês a Câmara dos Deputados deve aprovar algum tipo de regulamentação da publicidade voltada para o publico infantil, como adianta o relator do Projeto de Lei sobre o assunto, deputado Salvador Zimbaldi, do PDT de Sao Paulo. Ele fala das pressões sobre a Comissão e troca ideias com Ana Paula Bragaglia, publicitaria, doutora em psicologia social e professora da Universidade Federal Fluminense, e Vanessa Anacleto, escritora, blogueira, membro do coletivo Infância Livre de Consumismo e, antes de tudo, mãe de Ernesto, cinco anos, consumidor mirim consciente.
Ouça aqui: https://archive.org/details/DIA02PUBLICIDADEINFANTIL
Ouça aqui: https://archive.org/details/DIA02PUBLICIDADEINFANTIL
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